Debates sobre as Letras

Alguns questionamentos feitos por um amigo acerca das letras seguidos das respectivas opiniões da banda. Qualquer um que queira deixar alguma opinião sobre esses ou outros temas, sinta-se a vontade. 
“Só a discussão leva à evolução”

1)Sobre “O ultimo tango” 
-No trecho "eu quero mais é que se foda... porque eu tô pouco me fudendo" 
parece que vcs (ou talvez o personagem da música) adotam uma postura de passividade frente à realidade. Acho que esta passagem acaba me passando uma sensação de impotência e de abandono da tarefa de mudar a realidade. tipo: "a raiva me consome" e a forma encontrada para "extravasar" é mandando tudo se fuder, foda-se a realidade e vou viver minha vida à margem dela. enfim, estas são só algumas coisas que vieram na minha cabeça. obviamente, pode-se interpretar a mesma linha de outra forma: mandar tudo se fuder seria um ponto de partida para a atitude transformadora, mas acho que esta linha de interpretação é menos compreensível.

Resposta da banda: 
Acho que o lance do tango é um caso sério,porque "eu quero mais é que 
se foda" é, um bagulho que chama muita atenção, além do fato de que, 
às vezes é a única frase que nego escuta com clareza em uma 
apresentação ao vivo. Sendo assim, essa frase tirada do contexto da 
letra, é uma merda meio niilista abominável. Na verdade, pra nós, a musica conta o passo à passo de um processo romantizado da formação de um psicopata contemporâneo , assim, "eu quero mais éque se foda" marcaria o momento em que esse indivíduo transgride a passividade social e começa a ter um comportamento mais atuante, porém de uma maneira brutal, guiada pela raiva e pelo desequilíbrio .( medo, angústia e depressão....) Ele passa então, a não mais respeitar nada, nem a própria vida e provavelmente morre na contra-mão atrapalhando o tráfego. Acredito que dessa desgraça toda possa-se tirar algo de positivo para a própria vida, porém assumo que a compreensão dessa letra como um todo não seja transmitida com facilidade, porque o "fode-se" acaba roubando a cena.

2)Sobre “Tilt” 
-A mensagem central (ou talvez uma das centrais) parece ser a do "foda-se o seu carro a jato...". entretanto esta postura não parece desembocar no "foda-se a sua pedaleira a jato", ou o seu "pro-tools a jato". o que quero dizer é que a mesma sociedade ultraindustrializada e mecanizada, que vcs parecem por um lado condenar na letra, está o tempo inteiro de forma marcante na sonoridade da banda, no uso de milhares de efeitos digitais. é engraçado isto, porque ao mesmo tempo que se critica esta nossa era, a estética da banda parece 
solidamente baseada nas conquistas tecnológicas desta mesma era. obviamente que não estou aqui defendendo uma atitude reacionária de não usar computadores e de ir morar numa fazenda criando gado e só tocando 
instrumentos acústicos. trata-se apenas de uma relação interessante entre 
discurso e prática... 
 
Resposta da banda: 
Essa contradição do “tilt” tem sido recorrente, 
Não é nossa intenção dizer que não deixamos nenhum buraco, a vida é contradição , porém também acho que a idéia central da 
música é fazer um paralelo entre a tecnologia e o comportamento 
humano, como se a modernidade fosse fazendo com que as pessoas se 
tornassem cada vez mais parecidas com as máquinas. O problema não é 
da tecnologia e sim de como ela é (fut)utilizada Isso fica bem evidenciado 
no trecho: "quem tira o brilho da vida não é a cidade, e sim seu jeito de robô sem espontaneidade". Porém, mais uma vez, os refrões roubam a cena e pervertem o todo (quero uma música sem refrão), ainda assim creio que a mensagem principal da música seja "na ruptura da rotina é onde se esconde a felicidade", tendo a tecnologia como algo que contribui para essa rotinazinha de merda! 

 

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